27 de mai de 2011

Outro lado da Gestão

 Fonte: foto tirada por Rafeto em nossas andanças por Inhotim

Há algumas sextas feiras venho sofrendo algumas experiências que deixaram meus fins de semana pensativos e com agústias a serem desvendadas na ação de meu ofício. Veio a minha cabeça algumas frases ja ouvidas e lidas no meu trajeto profissional e de formação: "Gestão dói", "Gestão é um ofício solitário". Será que para gerir algo é necessário sentir algum tipo de dor? Será que preciso mergulhar em algum canto de mim mesmo, meio que escodido e permanecer ali para achar um caminho? Pois bem, eis o meu trajeto. Ao realizar ofícinas para construção de um planejamento chega em um momento que as propostas devem ser organizadas pela equipe e apresentadas de forma a cumprir um cronograma metodológico. Essas apresentações, sempre ocorridas nas sextas feiras, me deixavam muito introspectivo após os debates. Pouco se correspondia ao que foi trabalhado, e parecia que existia uma linha tênue entre o que deveria ser um debate profisisonal construtivo e uma provocação pessoal. Isso me inquietava e tais frases pulsavam em meus pensamentos. Eu entrava no carro, ligava e aumentava o som, de preferência com melodias que não são de costumes no meu cotidiano e seguia meu trajeto para casa a viajar nas minhas frustações e espectativas não atingidas. Reformulava o método usado, fazia reconstruções das trajetórias seguidas e de novo percebia a insistência daquelas frases lá no fundo. Foram semanas de inquietação e noites a olhar pela janela na tentativa de amenizar um incômodo que crescia e pendurava na minhas entranhas. Sério, foi um sentimento quase patológico. Passei por reformulações, reagendamentos de reuniões, construções de novas abordagens com meus afins, leituras intensas e análises que me levavam a suspirar no final. Tudo pronto para uma nova investida. No âmbito de minhas aflições as tais frases vinham tão afirmativas quanto uma vontade esbaforida de estar cantarolando de bicicleta pelas ruas de Amisterdã (que aliás é um projeto que tenho com minha amiga Flávia Pimenta e que agora ela quer me abandonar nessa trajetória - efeitos de ser tia pela primeira vez, ela quer ir para Disney - hehehe - desculpe, não resisti). Até que pela manhã do dia 27 de maio desse ano que escancara para nós, sentei com três pessoas brilhantes, cada uma com seu mau humor que diverte, cada uma com seu brilho, cada uma com suas perspectivas, cada uma com sua sabedoria. E que sabedoria! Construímos um trabalho edificante ao meu ver, foi intenso sentí-los, foi divino sair dali e perceber a geniosidade de um trabalho coletivo que nascia. E como eu disse, ele apenas nascia. E ao chegar a tarde sentei para assistir o resultado de um outro grupo, aquele que me fez remoer e repensar meus mêtodos com uma dor pulsante. A emoção me inundou, porém mantive uma postura intacta, e a cada palavra dita e a cada projeção do que havia sido construído eu ficava ruborizado de felicidade. Minha dor não foi em vão! Minhas investidas diárias não foram desperdiçadas! (gritava em pensamentos no momento). Minha vontade era de beijar a todos na boca de tanta euforia, porém eu não seria bem visto e uma lesão que encontra-se nos meus lábios superiores (devido a agressão sofrida por baixas temperaturas) não permitia essa estripulia. Porém hoje ao entardecer entrei no carro, liguei o som com melodias batidas da minha carta de cds. Cantarolei e não pensei em nada. Um sorriso sardônico apareceu nos lábios esticando a pele e me fazendo sentir uma fisgada na maldita lesão em fase de cicatrização. Já em casa as afortunadas frases voltaram a ter destaque no turbilhão de pensamentos que jorravam de minha cabeça.  Então as aceitei. Com a ajuda de minha criança, que resolveu parar de brincar de pique esconde, me empurrou para um turbilhão de possibilidades, me fez proferir sem pudor as formulações geradas em minha cabeça: Venha essa dor que me puxa para novas descobertas, venha essa solidão que me alerta para as coisas embutidas na minha capacidade, venham de uma vez só para me fazer gritar sem desespero acompanhado das canções que me esculpiram na vida, venham e me faça ter certeza de que estou onde realmente eu quero estar.

3 comentários:

  1. Gestão doi? Doi, assim como aceitar-se, mudar-se, evoluir-se. Ficar para depois andar. A eterna busca do movimento, que mesmo parados continuamos a andar. Vê-lo neste movimento traz em mim uma pontada de inveja e rios de esperança. Saber que estou tão proxima porém tão distante, saber que meu cerebro é capaz porém encontra-se em anestesia. Ler você (o que é mais chique) é saber que ainda é possivel, ter um estimulo pequeno para poder brilhar em meu espaço, transformar suas palavras em luz para guiar meu caminho. Amigo, acredito em ti, seu que é capaz, um exemplo a seguir, portanto sinto-me no direito de invejá-lo, querer algo seu como exemplo a ser seguido. LUZ. (Ps: quanto a Amsterdã a Disney é um pequeno desvio, mas se este é o primeiro lugar da lista, BRINDEMOS SEU SUCESSO EM AMSTERDÃ) FLAVIA

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  2. Uebaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa...
    ta bom.. ta bom... podemos dar uma passadinha na Disney! Ta vendo? Você consegue me dissimular.... kkkkkkk

    adoruuu
    te amuuu!!!
    bjuuuuuuuuuu

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  3. EHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!Disney, aqui vamos nós. Te amuuuuu tb. Bjs.

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