10 de dez de 2015

Chegue mais perto: vamos encontrar!!!





(Obra construída em oficina no CAPSi)


Eu ontem encontrei Medianeras, ou pelos menos permiti que ele me encontrasse. Filme de Gustavo Toretto, que me instigou reflexões sobre os confrontos do desencontro, a simplicidade e o encantamento.
A narrativa me envolveu e evocou as sutis substâncias do viver que desejo. Medianeras trouxe uma reflexão sobre a força dos recursos do contemporâneo que facilitam as práticas, mas propiciam um distanciamento e adiamento do encontro com o real. O encontro é plausível em diversas trajetórias das horas vividas, mas é atravessado por distrações e abstrações do agora, a ponto dos pontos singelos não serem notados e até mesmo anulados na rotina inquilina das ambições virtuais.
A canção executada em uma cena de clamor pelo encontro é de Daniel Johnston, True love will find you in the end, que possibilitou uma viagem a minha adolescência indie. Ah! Como eu poderia esquecer dessa canção? Hoje ela toma um outro sentido, porém não menos importante.
A forma como a cidade é estruturada, as características expressivas que são adotadas e os intervalos permitidos para o encontro dos sujeitos são de ordem confusa, querelante, porém não permissível. Depois dessa experiência decidi manter cada cena do filme e cada interlocução em minha mente, afim de perpetuar o sentimento fervoroso acendido em meu peito. Fiquei com incansáveis e prazerosas reflexões:

Será possível transgredir os recursos do contemporâneo para que o encontro projete seu eu visceral?
Quantas pessoas cruzam as mesmas pegadas e possuem necessidades equivalentes que possibilitam a continuidade da existência?
Quantas pessoas atravessaram por mim e que eram possíveis caminhantes que clamavam pelo mesmo tom de vida?
Quantos filmes, músicas, textos, ou qualquer arte visual que emocione, são degustadas na solidão e que clamam pela arte libertária de serem partilhadas com o outro?

Essas perguntas permeiam esse caminho que mergulhou em Medianeras. Agora é hora de elaborar formas peculiares na construção de passos torneados pela beleza da arte do encontro com o outro. E aos poucos capturar as possibilidades minuto a minuto tornando o viver uma afável surpresa.

Obrigado Medianeras!