31 de mai de 2011

O olhar que me segue!

Hoje ao abrir essas páginas encontrei um comentário do grande Thiago que sugeria um video que lindamente explicava como o poder da palavra transformou um momento de um homem cego. Então comecei a pensar no mundo que vi, no mundo que percebo e nos caminhos que percorri. Lembrei das fotos que tirei nos meus instantes de celebração das travessias (ou travessuras) e resolvi reavaliá-las com outras perspectivas de deslumbramento. Será que esse é o olhar que me segue? Será que consegui captar tudo o que havia, ou mais do que deveria? No decorrer dessa página exponho esse olhar congelado e profundo de alguns instantes, porém não menos intensos e sobarosos. O poder da palavra através das imagens que imprimem sua força no instante que foram captadas.


Tio João... Talvez uma das fotos mais expressivas que ja tirei. E para quem o conhece retrata bem sua alma e de como é feita sua história. Sou capaz ainda de escutar os acordes projetados de sua viola ao contemplar seu semblante. (Sítio Vargem do Amargoso - Barbacena - MG)


Adoro essas cores e o balanço que a escultura proporciona. Posso sentir risadas nesse salão e ao mesmo tempo ouvir a música tocando. (Obra do museu Inhotim - 2010)



Um divisor de águas que agrega. O que fazer? - Apenas sentar nessa passarela e aproveitar. O que ouvir? - O que vier, pois nesse espaço é possível ouvir além do que se percebe. (Inhotim - 2010)



O bom é enxergar o que está próximo e geralmente o que nós mesmos escondemos e não queremos ver. E se conseguir ouvir vai se encantar. (Inhotim - 2010)


Descompromissados, de bem com a vida e totalmente felizes com o que são. (Inhotim - 2010)


Ser parte da obra ao contemplar o céu. (Obra do museu de Inhotim - 2010)



Todos os caminhos possíveis de seguir. (Inhotim - 2010)



"Vou lhe dizer que são milagres, noites com sol... posso entender o que diz a rosa ao rouxinol... onde só tem o breu, vem me trazer o sol, vem me trazer amor. Pode abrir a janela..." (Sítio da Estivas - Carmo do Cajuru MG - 2011)



Reflexo de Rafeto e Fávia sobre a mesa. Celebração no Samba de Mercado. Uma volta a infância de largos sorrisos. Anjo bom! (Mercado Central - Belo Horionte - MG)



"Vem de lá. Nem um lugar. Espaço além do coração. Pela luz do sol o vento traz nudez de tal revelação." (Serra da Moeda- MG)


"A montanha acordou e emaranhou. Viajante solitário...andarilho de luz veio me trazer um sendero luminoso..." (Serra da Moeda - MG)


"Finjo não saber que o tempo passa logo... é como se a vida nunca acabasse, reviver o espaço seja como for." (Tiradentes - MG)



NOTAS: Fotos de arquivo pessoal tiradas com minha pequena câmara amadora com mãos amadoras, porém não menos cuidadosa. As descrições das fotos sem aspas são cultivos de minha sutil imaginação tentando projetar minhas percepções. Os trechos citados entre aspas são de canções de Flávio Venturini, que confesso sem pudor: - Instigam a voar e relembrar a cada dia de como é bom prover palavras, sem ao menos me tocar que sou um mero mortal. Tudo isso me condiz, me faz ver, ser e seguir.










30 de mai de 2011

Pra relaxar....

Estava eu a peneirar as idéias em um processo de seleção para postar nessas páginas, até que então vagando pelo Facebook de meu querido Igor (saudades e obrigado por essa viagem) deparei com esse video... Então percebi que era isso que gostaria de compartilhar hoje, porém não sabia com dizer. Em tempos de intolerância, onde o próprio tempo se confunde com seus ponteiros, é bom sentir uma melodia singela esvaindo por aí e capturando o que há de bom e dizer o quer você não consegue formular (ainda bem que elas existem). Portanto, é a manifestação do que muitos gostariam de dizer: "cuida bem de mim... então misture tudo dentro de nós... porque ninguém vai dormir nossos sonhos".

Então meus caros, apreciem a viagem, fiquem soltos, como todas as vezes desejadas e não resistam ao cuidado ofertado pois até ele precisa de um cais para exercer seu ofício!


28 de mai de 2011

Galeria Pessoal

Em um momento devastador de minha vida descobri que eu poderia poduzir traços a base de tinta a óleo. Então com um saculejo de amigo, minha querida Zk (que sempre ajudou meu coração a pulsar), introduziu em minha história alguns traços que são impossíveis de serem apagados:


Essas foram as primeiras pinceladas... lembro da tela apoiada em uma escada feita de parajú. Era como se me dissesse: "É para você mesmo meu rapaz, coloque cor em sua vida". E nós (ZK e Eu), com uma técnica de espancar a tela com o pincel para tentar chegar em algum tom. Foi único!!!



Já com uma coragem de dar inveja decidi seguir sozinho. Comprei uma tela e algumas cores extras. Aí estava eu pelas madrugadas pintando, acompanhado de Janis Joplin, uma garrafa de vinho e com o telefone do lado (para eu ligar para ZK quando eu não conseguia fazer algo na tela)



Enfim a terceira obra. Um ser corajoso. Essa foi a mais ultrajante. Primeiro que minha querida Silvia (que por sinal é uma artista de grandeza ímpar e um ser humano lindo) é que me ajudou a traçar com um lápis todos esses contornos. Depois minha conta de telefone ficou devera cara de tantas vezes que liguei para meu Porto Seguro (ZK, claro!) reclamando dos traços que eu não conseguia produzir (que nessa hora eu não sabia se era pela inexperiência ou pelo vinho que já estava subindo).



E veio o Pierrot (cópia de um quadro que decorava a sala da casa de Tia Sônia... kkkk)... e descobri que sentia algo por imagens com expressão... como a de palhaços tristes!



Essa veio por encomenda de Vovó... mas descobri que fazer uma flor é algo tão devastador como um anjo!!!




Últimos traços até então... Esse está pinturado e iluminando o quarto de Rafeto (que sorte a sua hein rapazim... hehehe)


Estou descobrindo que meu amadorismo para as telas vai seguir adiante, com o cavalete pronto, pinceis a postos, vinho comprado e Janis Joplin pronta para rasgar os cômodos de meu apartamento (que por sinal tornou-se um estímulo para esse meu vício).
 Aguardem... em breve algo novo será produzido! Assim espero...

OBS: grandiosos beijos para ZK, Silvia, Cissa e Tia Sônia que foram verdadeiros faróis encandescentes para que eu conseguissse gritar, produzir e não me deixar consumir pelo desespero!!!!










27 de mai de 2011

Outro lado da Gestão

 Fonte: foto tirada por Rafeto em nossas andanças por Inhotim

Há algumas sextas feiras venho sofrendo algumas experiências que deixaram meus fins de semana pensativos e com agústias a serem desvendadas na ação de meu ofício. Veio a minha cabeça algumas frases ja ouvidas e lidas no meu trajeto profissional e de formação: "Gestão dói", "Gestão é um ofício solitário". Será que para gerir algo é necessário sentir algum tipo de dor? Será que preciso mergulhar em algum canto de mim mesmo, meio que escodido e permanecer ali para achar um caminho? Pois bem, eis o meu trajeto. Ao realizar ofícinas para construção de um planejamento chega em um momento que as propostas devem ser organizadas pela equipe e apresentadas de forma a cumprir um cronograma metodológico. Essas apresentações, sempre ocorridas nas sextas feiras, me deixavam muito introspectivo após os debates. Pouco se correspondia ao que foi trabalhado, e parecia que existia uma linha tênue entre o que deveria ser um debate profisisonal construtivo e uma provocação pessoal. Isso me inquietava e tais frases pulsavam em meus pensamentos. Eu entrava no carro, ligava e aumentava o som, de preferência com melodias que não são de costumes no meu cotidiano e seguia meu trajeto para casa a viajar nas minhas frustações e espectativas não atingidas. Reformulava o método usado, fazia reconstruções das trajetórias seguidas e de novo percebia a insistência daquelas frases lá no fundo. Foram semanas de inquietação e noites a olhar pela janela na tentativa de amenizar um incômodo que crescia e pendurava na minhas entranhas. Sério, foi um sentimento quase patológico. Passei por reformulações, reagendamentos de reuniões, construções de novas abordagens com meus afins, leituras intensas e análises que me levavam a suspirar no final. Tudo pronto para uma nova investida. No âmbito de minhas aflições as tais frases vinham tão afirmativas quanto uma vontade esbaforida de estar cantarolando de bicicleta pelas ruas de Amisterdã (que aliás é um projeto que tenho com minha amiga Flávia Pimenta e que agora ela quer me abandonar nessa trajetória - efeitos de ser tia pela primeira vez, ela quer ir para Disney - hehehe - desculpe, não resisti). Até que pela manhã do dia 27 de maio desse ano que escancara para nós, sentei com três pessoas brilhantes, cada uma com seu mau humor que diverte, cada uma com seu brilho, cada uma com suas perspectivas, cada uma com sua sabedoria. E que sabedoria! Construímos um trabalho edificante ao meu ver, foi intenso sentí-los, foi divino sair dali e perceber a geniosidade de um trabalho coletivo que nascia. E como eu disse, ele apenas nascia. E ao chegar a tarde sentei para assistir o resultado de um outro grupo, aquele que me fez remoer e repensar meus mêtodos com uma dor pulsante. A emoção me inundou, porém mantive uma postura intacta, e a cada palavra dita e a cada projeção do que havia sido construído eu ficava ruborizado de felicidade. Minha dor não foi em vão! Minhas investidas diárias não foram desperdiçadas! (gritava em pensamentos no momento). Minha vontade era de beijar a todos na boca de tanta euforia, porém eu não seria bem visto e uma lesão que encontra-se nos meus lábios superiores (devido a agressão sofrida por baixas temperaturas) não permitia essa estripulia. Porém hoje ao entardecer entrei no carro, liguei o som com melodias batidas da minha carta de cds. Cantarolei e não pensei em nada. Um sorriso sardônico apareceu nos lábios esticando a pele e me fazendo sentir uma fisgada na maldita lesão em fase de cicatrização. Já em casa as afortunadas frases voltaram a ter destaque no turbilhão de pensamentos que jorravam de minha cabeça.  Então as aceitei. Com a ajuda de minha criança, que resolveu parar de brincar de pique esconde, me empurrou para um turbilhão de possibilidades, me fez proferir sem pudor as formulações geradas em minha cabeça: Venha essa dor que me puxa para novas descobertas, venha essa solidão que me alerta para as coisas embutidas na minha capacidade, venham de uma vez só para me fazer gritar sem desespero acompanhado das canções que me esculpiram na vida, venham e me faça ter certeza de que estou onde realmente eu quero estar.

26 de mai de 2011

Trânsito: um medidor de caráter

Ouvi uma frase da fantástica Fernanda Young a respeito do trânsito há um tempo atrás que me fez refletir e entender por qual motivo minha íra e indignação no trânsito era tão visceral. "O trânsito é um medidor de caráter". Perfeito... bateu como um dicionário para dar base as minhas indagações: piscar farol na sua traseitra, fechar sua passagem, tentar tirar proveito para passar primeiro em um cruzamento, não respeitar faixa de pedestre... e entre tantos atos que fazem o coração fibrilar e de forma ríspida permite que surja de sua boca um filho da p.... complexo não?! Pois é!! Esse é um medidor de caráter com certeza. A cada dia o carro passa a ser o grande poder que transforma e engrandece o cotidiano desse aglomerado que chamamos de cidade.  Ali em milésimos de segundos um carater é mostrado em todo seu esplendor ou em toda sua obscuridão. E você consegue até perceber o brilho no olhar e o puxadinho no canto da boca demonstrando um riso sórdido de quem consegue burlar a ordem no trânsito: Eis o grande mau caráter, aquele capaz de bater na mãe, de passar por cima do canteiro central, porque "ele" é o "grande fodão", é o seu momento de mostrar para o mundo sua existência, já que no cotidiano quando seus pés tocam o chão, ele não relflete e/ou nem produz luz alguma. Decidi pedir piedade para "eles" e oferecer de bom grado toda a rua ou estrada que entender-se a sua frente, pois são seus únicos caminhos, única opção de vida, única forma de se fazerem vistos. Eu não, eu tenho muitos outros caminhos, muitas outras formas de transcender do que a de ter que recorrer a um frívolo acelerador. Como postado em comentários por uma amiga (Claudinha - que por sinal é uma delícia de ser humano), as palavras de de José Saramago: "Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar". O que fazer se o que "eles" tem é apenas um acelerador que foi apenas obtido? O que fazer se o que "eles" podem ter á apenas essa velocidade impulsionada por uma máquina? Agora a descrição de um Gostar: o carro parou  e seu motorista sinalizou cedendo a sua vez, por ter observado que o outro veículo estava em local mais complexo, e sua gentileza foi tremenda que o mesmo pode ler os lábios da pessoa que foi agraciada: - Obrigado meu jovem!! (E isso com um sorriso irradiante). Com isso eu só tenho a dizer: Viva José Saramago por descrever tão bem a beleza do que é conquistado, e Viva Claudinha que me abençoou com essa passagem. E os de mau caráter? Esses vamos conspirar para que o universo tenha piedade e lhes ensine algo com suas leis. Assim seja!!!!!

25 de mai de 2011

Para que?

Enfim decidi fazer um Blog... Até me parece estranho ser seduzido pela tecnologia dos últimos tempos, ou de tempos quase últimos, quem sabe. O fato é que em um período não muito longe dos meus pensamentos, era impensável a construção de algo que não fosse palpável e que eu não pudesse sentir o cheiro nas mãos. Mas estimulado pelas realizações de meus grande amigos e deliciosos parceiros de jornadas do PERAMBULARTE, Elô e Cláudia Berro!!!, estou aqui a devanear com meus dedos frenéticos no teclado. O que vai sair daqui? Qual o objetivo disso tudo? Eu não sei.... Só sei que vou deixar fluir, deixar levar, se tiver raiva publicarei raiva, amor publicarei amor, humor publicarei humor. Será tudo verdade? -Sei lá!!! Afinal a velha frase: "mentiras sinceras me interessam", ainda está vida e sincera. Quem sabe um dia um copo de vinho me acompanhe nessas páginas, que aliás tem me dado trabalho, pois também achei de entender do assunto, um inferno para quem nunca teve em seu trajeto essas palavras usadas por apreciadores de vinho, mas palavras não impossíveis de entender e de acrescentá-las à sua vida... enfim to ficando chato... hehehe!!! ...  pausa para beber água.... Percebo que as noites serão longas... os dias intensos e sempre vou querer dar uma fugidinha pra cá para espiar o que tá ocorrendo aqui.... droga... arrumei mais um vício, como se já não fosse bastante os que tenho... aguentai tal provação... até que se entenda para que ter um blog... bjos